Toda empresa que vende a prazo já viveu essa cena. O fornecedor oferece um desconto irresistível para pagamento à vista. Porém, o caixa está preso em duplicatas que só vencem em 60 ou 90 dias. A decisão parece simples na hora. Ainda assim, o custo de deixar essa oportunidade passar raramente entra na planilha. É justamente por isso que a gestão de liquidez B2B deixa de ser um detalhe operacional. Na verdade, ela se torna uma peça central da estratégia financeira.
Quando o assunto é caixa, muitas empresas ainda tratam o problema como algo reativo. Ou seja, só se preocupam com a liquidez quando ela já está apertada. Como resultado, surge um ciclo de decisões tomadas sob pressão. Consequentemente, as condições de crédito ficam piores e o poder de negociação diminui. Neste artigo, portanto, vamos mostrar, com números, por que esperar o prazo de recebimento pode custar mais do que parece. Além disso, vamos explicar como transformar o fomento empresarial em uma ferramenta preventiva, e não apenas corretiva.
O custo de esperar para receber
Imagine uma indústria que vende R$ 500 mil por mês para grandes redes. O prazo médio de recebimento é de 60 dias. Enquanto isso, ela recebe de um fornecedor uma oferta de 8% de desconto para pagamento em uma compra de insumos. Sem caixa disponível, no entanto, a empresa perde o desconto. E, por consequência, paga o preço cheio.
Fazendo as contas, 8% de desconto sobre uma compra recorrente mensal representa um ganho anualizado bem superior. Aliás, esse ganho costuma ser maior do que o custo de qualquer operação de antecipação de recebíveis com taxas de mercado. Em outras palavras, antecipar o recebível tende a custar menos do que não antecipar. Trata-se, assim, de um cálculo de custo de oportunidade que muitas gestões financeiras ainda não fazem de forma sistemática. Como explicamos, a antecipação de recebíveis é a antecipação do recebimento de um valor que seria ganhado apenas no futuro. Dessa forma, empresas com vendas a prazo podem solicitar a uma instituição financeira que antecipe esse valor, total ou parcialmente. O objetivo, então, é suprir necessidades imediatas de capital de giro.
Esse tipo de ineficiência, aliás, se repete em escala. Segundo a Shopify Brasil, o capital de giro é a diferença entre ativos circulantes e passivos circulantes. Quanto maior essa diferença, portanto, mais saudável tende a ser o negócio. Por outro lado, empresas que dependem apenas do prazo natural de recebimento para financiar suas operações acabam presas a um descompasso. Isto é, o ciclo de vendas e o ciclo de pagamentos não se encaixam, o que gera o chamado ciclo de conversão de caixa. Quanto mais longo esse ciclo, maior a dependência de capital de terceiros. E, geralmente, esse capital é mais caro e menos flexível do que uma antecipação estruturada.
Gestão de liquidez B2B como estratégia, não como remédio
A gestão de liquidez B2B eficiente parte, sobretudo, de uma mudança de mentalidade. Em vez de recorrer ao crédito apenas quando o caixa aperta, a empresa passa a antecipar cenários. Assim, ela usa instrumentos financeiros de forma planejada. Isso significa, por exemplo, mapear com antecedência quais recebíveis podem ser convertidos em caixa imediato. Além disso, é preciso identificar em que momentos essa conversão gera mais valor, seja para aproveitar descontos de fornecedores, seja para sustentar picos de demanda sem recorrer a linhas de crédito emergenciais e caras.
Ferramentas de otimização de capital de giro usadas por grandes consultorias já demonstram esse raciocínio na prática. Por exemplo, a KPMG descreve uma solução que ajuda CFOs a alcançar uma gestão financeira mais eficiente. Ela reduz dívidas e, ao mesmo tempo, melhora a liquidez no fluxo de caixa e a previsibilidade financeira. A base, nesse caso, é o mapeamento do ciclo que vai do pedido ao recebimento, da previsão à entrega e da aquisição ao pagamento de fornecedores. O princípio, portanto, é o mesmo que orienta a gestão preventiva de liquidez: entender o fluxo antes que ele se torne um problema, e não depois.
Da antecipação pontual ao fomento estruturado
O erro mais comum é tratar a antecipação de recebíveis como um recurso de emergência. Ou seja, muitas empresas só recorrem a ela quando falta dinheiro no caixa. Quando essa lógica se inverte, contudo, o fomento passa a ser parte do planejamento financeiro regular. Consequentemente, a empresa ganha previsibilidade. Assim, ela sabe, de antemão, qual parcela de seus recebíveis pode ser convertida em capital de giro e a que custo. Dessa forma, é possível negociar melhor com fornecedores, aproveitar sazonalidades de compra e evitar decisões financeiras tomadas no improviso.
A estruturação via securitizadora, além disso, costuma ser mais econômica do que outros caminhos de captação. De acordo com reportagem da Mais Retorno sobre novos certificados de recebíveis, esse tipo de estruturação é mais barata do que outros instrumentos. O motivo, na verdade, é simples: envolve apenas a securitizadora. Já outros veículos exigem a contratação de pelo menos mais três prestadores de serviço. Na prática, portanto, isso se traduz em custos mais competitivos para empresas que antecipam recebíveis de forma recorrente.
A securitizadora como parceira de tesouraria
É nesse ponto que uma securitizadora deixa de ser vista apenas como um fornecedor de crédito emergencial. Em vez disso, ela passa a atuar como parceira de tesouraria. Diferente de uma linha de crédito bancária tradicional, a antecipação de recebíveis estruturada permite à empresa dimensionar exatamente o volume de caixa necessário para cada momento do negócio. Além disso, isso ocorre sem comprometer o limite de crédito bancário nem gerar endividamento no sentido contábil tradicional.
A Podium Soluções Financeiras atua justamente nessa frente. A empresa oferece soluções de antecipação de recebíveis para negócios de diferentes portes. Assim, as estruturas foram pensadas para apoiar tanto pessoas jurídicas quanto pessoas físicas que precisam de liquidez imediata. Em vez de esperar pelo prazo de 30, 60 ou 90 dias para transformar uma venda em caixa disponível, portanto, o negócio pode antecipar esse recebível. Dessa maneira, o capital pode ser usado no momento em que ele gera mais valor, seja para negociar melhores condições com fornecedores, seja para sustentar o crescimento sem recorrer a dívidas mais caras.
Colocando a gestão de liquidez preventiva em prática
Transformar o fomento em alavanca preventiva, felizmente, não exige uma reestruturação completa da tesouraria. A seguir, alguns passos que ajudam a dar o primeiro movimento:
- Mapear o ciclo de recebimento médio da empresa e, em seguida, compará-lo com o ciclo de pagamento a fornecedores.
- Calcular o custo de oportunidade de descontos ou negociações perdidas por falta de caixa disponível.
- Definir um volume recorrente de recebíveis que pode ser antecipado sem comprometer a margem da operação.
- Buscar parceiros financeiros que ofereçam previsibilidade de taxas e agilidade na análise, como uma securitizadora especializada.
Para entender melhor os fundamentos por trás desse cálculo, aliás, vale complementar a leitura com este outro artigo do blog sobre organização de capital de giro.
O próximo passo da sua estratégia de liquidez B2B
Esperar o prazo natural de recebimento pode parecer a opção mais segura. No entanto, os números costumam mostrar o contrário. Isto é, o custo de não ter liquidez disponível na hora certa quase sempre supera o custo de antecipar recebíveis de forma planejada. Por isso, colocar a gestão de liquidez B2B no centro da estratégia financeira faz toda a diferença. Afinal, é o que separa empresas que apenas reagem a aperto de caixa daquelas que usam o fomento como vantagem competitiva.
Se você quer entender, então, como transformar seus recebíveis em capital disponível para o momento certo, converse com a Podium Soluções Financeiras. Assim, você descobre qual solução se encaixa melhor na realidade do seu negócio.